Nascida em 1930, dona Ruth foi uma intelectual respeitada no Brasil e no exterior, com forte engajamento social.Sensível e discreta. Culta e inteligente. Ruth Vilaça Corrêa Leite Cardoso nasceu em Araraquara, interior de São Paulo, e cedo descobriu a vocação para a vida acadêmica.
Estudou na faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo e foi lá, em 1948, que conheceu Fernando Henrique Cardoso. Quatro anos depois, estavam casados.
Tiveram três filhos. Dona Ruth era doutora em antropologia e atuou como professora e pesquisadora nas universidades do Chile; Berkeley e Columbia nos Estados Unidos e na Universidade de São Paulo, onde conquistou espaço privilegiado entre os docentes.
Durante os dois mandatos de Fernando Henrique como presidente da República, manteve uma postura avessa aos holofotes.
Não gostava de ser chamada de primeira dama: considerava um americanismo desnecessário.
Ruth Cardoso esteve presente em grandes encontros com o presidente Fernando Henrique. Sem abrir a mão de sua vida pessoal e profissional.
Não era vaidosa. Ela mesma se maquiava e preferia figurinos de tons neutros. Seu principal interesse era a análise da realidade brasileira. Era clara na defesa de suas posições:
Engajou-se na defesa dos direitos da mulher, e representou o Brasil na grande Conferência Internacional da Mulher, em Pequim, em 1995.
Fez parte do grupo de 113 pessoas anti-racistas que assinaram documento contrário à política de cotas para negros nas universidades.
Ela defendia que as cotas deveriam ser sociais porque há pessoas sem recursos de todas etnias.
Recentemente, deixou de lado seu tom moderado para rebater com veemência a exploração política dos gastos pessoais do ex- presidente e seu marido Fernando Henrique Cardoso.
Em nota, disse que na sua época, “o dinheiro público jamais foi usado em benefício próprio e que nunca tais gastos foram sigilosos”.
O maior legado, e que dona Ruth sempre fez questão de mencionar em suas raras entrevistas, foi o Comunidade Solidária, projeto social criado e presidido por ela em 1995.
Para dar continuidade a esse trabalho, fundou em 2000 a ONG Comunitas, que até hoje segue a diretriz de sua mentora: fortalecer pessoas e comunidades para combater a pobreza.
Fonte: Site do Jornal da Globo
Nenhum comentário:
Postar um comentário