Publicado na Revista VOTO
Por Rodrigo Constantino
Desde sua criação na década de 1930, a União Nacional dos Estudantes (UNE) tem participado de forma ativa do debate político no país, quase sempre abraçando bandeiras ditas “progressistas”. A entidade está tão impregnada de ideologia marxista, que atualmente a UNE mais parece um braço partidário do PSOL, e poderia muito bem mudar o significado de sua sigla para União Nacional dos Esquerdistas.
Com a chegada ao poder do PT, a UNE deixa de lado suas duras críticas ao governo e adota um constrangedor silêncio em relação aos escândalos de corrupção. Ela demonstra, com isso, seguir literalmente a máxima de dois pesos e duas medidas. Para os socialistas, afinal, os fins sempre justificaram quaisquer meios. Basta lembrar o barulho ensurdecedor que os estudantes da UNE faziam no passado contra o governo, quando o PT ainda era oposição. O caso dos “caras-pintadas” pedindo o impeachment do presidente Collor, mobilizados pela UNE, representa um excelente exemplo. Ou a pressão que a UNE exerceu para instalar CPIs durante o governo tucano, além da campanha “Fora FHC”, disseminada pela entidade. Agora que o PT é governo, a UNE condena o desejo da oposição de instalar uma CPI para investigar os escândalos da Petrobras. Quem te viu, quem te vê. Como os jornais mostraram, a UNE recebeu quase R$ 1 milhão de órgãos públicos federais para realizar seu 51º Congresso, sendo R$ 100 mil da própria Petrobras. O cão não morde a mão que o alimenta. E a UNE é como os cachorros raivosos alimentados pelo porco Napoleão no livro A revolução dos bichos, de George Orwell. Parece um cão treinado para latir quando o governo precisa desviar a atenção de algum novo escândalo. A UNE mostra não seguir princípios e valores imparciais, mas, sim, interesses atrelados à sua ideologia socialista. Seria o caso de questionar: Quais estudantes ela realmente representa?Nenhuma palavra da UNE contra os infindáveis escândalos envolvendo José Sarney, que o presidente Lula agora tanto defende. Nenhuma palavra contra a nova e estranha amizade entre Collor e Lula. Onde estão aqueles jovens com caras pintadas? Trocaram a tinta pela peroba e viraram agora “caras-de-pau”? Nada da UNE sobre os escândalos envolvendo a Petrobras, uma das principais patrocinadoras do congresso da entidade. Ao contrário: defender a CPI para investigar a corrupção na estatal passou a ser coisa de “neoliberal”. A UNE, pelo visto, não condena a corrupção do governo, se este governo for de esquerda e, de preferência, liberar verbas gordas para a entidade.
A verdade é que muitos jovens percebem desde cedo que há, no Brasil, um futuro promissor para “estudantes” que trocam o estudo pelos discursos sensacionalistas. Em vez de se dedicar arduamente aos estudos e depois competir no mercado por um emprego produtivo, esses jovens observam que pegar microfones durante as aulas e condenar o “sistema”, gritando bravatas e oferecendo soluções utópicas, costuma trazer recompensas melhores e mais rápidas. Como disse o economista William Easterly, em O espetáculo do crescimento, “criar pessoas com elevada qualificação em países onde a atividade mais rentável é pressionar o governo por favores não é uma fórmula de sucesso”. A via política acaba rendendo mais que a via econômica num país como o Brasil, onde o governo concentra poder econômico demais. A UNE virou um trampolim para jovens com ambições políticas. Por que batalhar duro para criar riqueza, quando basta colocar uma camisa vermelha e gritar chavões socialistas para expropriar riqueza alheia através do governo? É análogo ao que se passa no campo com o Movimento dos Sem-Terra. Em vez de trabalhar pesado sob o sol nas plantações, os “camponeses” aprendem rápido que basta pegar uma foice, colocar um boné vermelho e invadir propriedades alheias, para que o governo libere verbas milionárias para o movimento “social”. Não devemos esperar que os homens produzam riqueza, quando a produção é punida com crescentes impostos e a extorsão é remunerada. Um país desses terá cada vez mais parasitas, e menos hospedeiros. Alguém ainda se espanta com tanta miséria no Brasil?
A lamentável verdade é que a UNE tem contribuído para esta situação, através da doutrinação ideológica dos alunos. Como atrativo para os jovens, a entidade oferece um privilégio: uma carteira que garante desconto em eventos “culturais”, como shows de rock e jogos de futebol. Os jovens são vítimas mais fáceis para os oportunistas de plantão. Afinal, costumam ser mais românticos e sonhadores, guiados pelas emoções e pelo desejo de “consertar o mundo”. Talvez por isso os esquerdistas defendam o direito ao voto de um jovem de 16 anos, enquanto condenam a redução da maioridade penal. Ou seja, o jovem responsável que pode votar acaba se tornando uma criança indefesa e inimputável, vítima da “sociedade”, quando pratica algum crime. Eis a “lógica” esquerdista. Eis a mentalidade predominante na União Nacional dos Esquerdistas, quer dizer, dos Estudantes.
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